CARLOS BERNARDO: Diretor de UCP – UNIVERSIDADE CENTRAL DO PARAGUAI é pré-candidato a deputado federal pelo MDB. Vai lutar contra o Revalida que tem funcionado como uma espécie de ‘Reserva de Mercado’ das faculdades brasileiras de medicina. Para propor um processo de revalidação de diploma mais justo, para que todos os médicos recém-formados em instituições estrangeiras possam ter acesso à profissão, o diretor-geral do curso de Medicina da UCP (Universidade Central do Paraguai), Carlos Bernardo arregaçou as mangas e entrou na disputa eleitoral neste ano.

Representante da fronteira quer lutar para quebrar a discriminação no Brasil contra estudantes de Medicina no Paraguai e países do Mercosul

Boca: É gigantesca a demanda de brasileiros formados no Paraguai, Bolívia, Argentina, Chile e outras faculdades estrangeiras, submetidos ao “Revalida” para trabalhar no Brasil. As provas são absurdas para os brasileiros formados no estrangeiro. Isso te motivou lutar por uma mudança nesses critérios?
CARLOS BERNARDO – “Apesar de andar pelos 79 municípios deste estado, defino-me como representante da fronteira, especialmente, dos alunos que se formam no exterior, pois eles, não possuem uma representação e ficam à mercê dessas provas que não condizem com a realidade. Acho ser uma espécie de “reserva” para os acadêmicos que se formam no Brasil. Em Brasília quero mudar esse comportamento discriminatório que prejudicam os formandos brasileiros formados no exterior com provas que nem especialistas conseguiriam fazê-las”.

Boca: Qual o sentido de derrubar essa discriminação para quem se forma em excelentes cursos de medicina em países vizinhos, vez que fazemos parte do Mercosul?
CARLOS BERNARDO – “Devido aos altíssimos preços das faculdades de Medicina brasileiras. Os privilegiados são somente aos acadêmicos abastados, tirando qualquer possibilidade de pessoas normais se formarem em medicina, o que é um tipo de discriminação. Nos países vizinhos, os preços são absurdamente menores, chegando as mensalidades custar “dez por cento” das cobradas internamente, sendo faculdades tão boas ou até melhores que as nossas. É preciso oportunizar a esses formandos uma quebra de barreira, a fim de que preencham as necessidades brasileiras de médicos, validando esses diplomas. São cerca de mil médicos formados anualmente no Paraguai. Brasileiros como todos nós e que não faz sentido lhe fechar o mercado profissional justamente num país que necessita de mais médicos para atender à população”.

Boca: Como convencer que os brasileiros formados no exterior darão conta de suprir a falta de médicos em nosso País?
CARLOS BERNARDO – “No Brasil faltam muitos médicos. Os que estão atuando preferem ficar nos grandes centros e não nas cidades mais distantes localizadas no interior. Enquanto isso, existem médicos no exterior preparados para atender a demanda de cidades interioranas e grandes centros, mas a “reserva de mercado” forma uma proteção a fim de garantir a colocação de médicos aqui formados que retroalimenta a falta de médicos para os locais mais afastados dos grandes centros. É contra esse tipo de reserva que proponho o meu mandato a fim de lutar contra essas discrepâncias”.

Boca: Você é um homem de múltiplas atividades e CEO do Curso do Medicina da Universidade Central do Paraguai. Conte-nos um pouco da sua brilhante história de vida…
CARLOS BERNARDO – Quando fui estudar medicina no Paraguai, em 2010, não conseguia entender “por que” um curso como esse custava nas faculdades brasileiras uma fortuna e no Paraguai “dez por cento” das mensalidades daqui. Na Universidade Central do Paraguai uma mensalidade custa R$ 1.500, contra R$ 15 mil mensais no Brasil. Fui chamado para fazer esse alerta aos acadêmicos. A UCP é um curso de ponta, professores preparadíssimos, material inigualável, formandos capacitados em todas suas especialidades e num País do Mercosul, então por que discriminar nossos formandos?”

Boca: Vamos falar da evolução de alunos que foram estudar medicina no Paraguai?
CARLOS BERNARDO – “Quando fui estudar medicina no Paraguai tínhamos 200 acadêmicos. Hoje, poucos anos depois, temos “trinta mil acadêmicos” em todo o Paraguai. Só em Pedro Juan Caballero existem hoje cerca de 15 mil estudantes de Medicina, a maioria brasileiros. Por que colocar travas a esses profissionais de lá sendo que o nível de aprendizado é idêntico? O Revalida é lei desde 2020, mas encontraram uma forma de criar para os brasileiros que estudam no exterior uma trava a fim de obrigá-los a estudar aqui, discriminando os futuros médicos apenas e porque não possuem o mesmo poder aquisitivo dos ricos e abastados cujos pais conseguem pagar um curso de medicina no Brasil. Isso é um absurdo”.

Boca: Representar a fronteira numa Câmara Federal é preencher uma lacuna política que na fronteira deixou de existir…
CARLOS BERNARDO – “Como candidato a deputado federal não estou em busca de emprego, mas atrás do interesse de pelo menos 5 mil formandos que estão expostos a um sistema desumano. Ademais, represento a fronteira justamente onde se faz necessárias as atenções das autoridades federais, estaduais e municipais. Fiz uma reunião com nossos acadêmicos explicando-lhes os motivos pelos quais um representante na Câmara Federal poderia trabalhar os interesses dessa integração das faculdades do Paraguai e demais países que formam o Mercosul. Falei a eles sobre a disposição de lutar pelos interesses de cada um. Disse mais: Se alguém desta reunião não concordar com meus propósitos fique sentado. Quem aceitar essa minha luta – que é nossa luta – que se levante em sinal de aprovação. Conclusão: todos se levantaram. Ganhei força e aqui estou pronto para lutar pelos formandos de medicina do nosso país irmão”.

Boca: Quem mais concordou com a sua ideia?
CARLOS BERNARDO – “Além dos nossos acadêmicos, a ideia virou um rebuliço em Ponta Porã, além de parceiros como o engenheiro Luiz Lopes Zaias, de Assunção, e seus filhos Luiti, Gabriel e Diego. Outras faculdades concorrentes também apoiaram a iniciativa. Minha pré-candidatura virou um interesse comum e convergente. Recebi até uma ligação do Dr. Fernando Burguéia forte empresário na área de agropecuária e combustíveis, no sentido de melhorarmos a saúde na fronteira”.

Boca: A fronteira está carente de representantes a nível federal…
CARLOS BERNARDO – “Conversei com o prefeito Helinho Pellufo que me garantiu poder contar com a população ponta-poranense. A ideia é trabalhar pela fronteira e pela população sul-mato-grossense. Um deputado federal possui mobilidade para representar a população do estado também noutras áreas e noutras necessidades .

Contatos: (67) 99991-1511 – Facebook Karlos Bernardo Ucp Instagram: karlos.ucp.medicina

Fonte: bocadopovonews.com/